Agrupamento de Escolas
Conde de Oeiras
Agrupamento de Escolas
Conde de Oeiras
O Agrupamento de Escolas Conde de Oeiras abriu as portas do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) para mostrar ao mundo o que acontece quando escola, família e comunidade trabalham juntos. Num evento repleto de apresentações de alunos, professores, assistentes operacionais e parceiros, a escola revelou a sua identidade única: uma comunidade educativa construída com pessoas, relações de proximidade e colaboração genuína.
"A nossa identidade são as pessoas", afirmou a direção da escola durante a apresentação. São as relações de proximidade, empáticas, colaborativas e inclusivas que definem este agrupamento. Esta filosofia é visível em cada projeto, em cada intervenção e em cada sorriso partilhado ao longo do evento.
Um dos projetos mais ambiciosos apresentados pelos alunos foi o "Mar Radical", uma iniciativa interdisciplinar focada na proteção dos oceanos. Os estudantes trabalham o tema em matemática como cientistas de dados, em português e inglês como escritores, e até estão a compor uma música intitulada "Mar Radical" nas aulas de música.
As atividades incluem iniciação à navegação tradicional à vela, exploração da vida costeira e visitas ao Aquário Vasco da Gama. O futuro promete ainda mais: stand-up paddle, kayak, limpeza de praias e entrevistas a fotógrafos subaquáticos. "O mar começa aqui na nossa escola. Cada um de nós pode ser um guardião", declararam os alunos.
Outro projeto estudantil focou-se na mobilidade sustentável, visando as três dimensões do desenvolvimento: social, ambiental e económico. O objetivo é consciencializar a comunidade escolar sobre o uso excessivo do automóvel e promover alternativas como a bicicleta. A meta é criar um dia sem carros, em que os alunos se deslocam para a escola de bicicleta, através de sessões de sensibilização, cartazes e divulgação nas redes sociais.
Na Escola Sá de Miranda, o projeto de brincar no exterior permite que as crianças explorem livremente e desenvolvam a imaginação. A ligação entre família e escola é reforçada através da reutilização de materiais domésticos, como panelas e tachos, que ganham nova vida no espaço escolar.
Numa das apresentações mais criativas do evento, a professora bibliotecária comparou a biblioteca escolar a uma "panela de pressão" – não para mandar calar, mas para cozinhar lentamente a receita do sucesso educativo. Os ingredientes desta receita incluem:
Equipamento informático e coleção de livros atualizada, garantidos pelo investimento da direção
Multiliteracias: literacia mediática (presente no jornal escolar "Cagaréu"), literacia informacional e literacia da leitura
Cidadania ativa: projeto "Miúdos a Votos", patrocinado pela Rede de Bibliotecas Escolares, que promove o processo democrático através da eleição do livro favorito
Inclusão e bem-estar: clube de leitura e clube de expressão dramática, com a peça "Contes War" a ser apresentada na plataforma Oeiras Vila
Participação familiar: projeto "Ler Fora da Escola", onde as famílias partilham histórias
Envolvimento municipal: Concurso Municipal de Leitura, realizado aos sábados com famílias, crianças e professores
"Esta receita tem um nome: Sucesso Educativo. É cozinhada em câmara lenta", explicou a professora, destacando que cada ingrediente é saboreado e autoavaliado continuamente.
A horta escolar surgiu para dar mais respostas educativas aos alunos com medidas adicionais de suporte à aprendizagem. Através de todas as tarefas inerentes a uma horta – semear, tratar e colher – os alunos trabalham autonomia, desenvolvimento pessoal e social, saúde e bem-estar.
O projeto articula-se com várias disciplinas, incluindo matemática para a vida ativa, português para a vida ativa, ciências e artes. Adlide, assistente operacional que acompanha os alunos na horta, expressou com simplicidade a essência do projeto: "É aqui que eu sou feliz fazer aquilo que gosto", acrescentando que é importante as crianças perceberem "que os legumes que chegam às nossas mesas não vêm do supermercado, vêm da terra".
O projeto Ciberescola utiliza internet e tecnologias digitais para ajudar alunos estrangeiros a aprenderem português de forma mais rápida. Com várias aulas, testes, leitura de livros e apresentações, sempre com um professor a corrigir trabalhos e fichas, os estudantes melhoram significativamente a escrita, leitura e comunicação em português.
Fátima Loureiro, assistente operacional que apoia o projeto, revelou um benefício inesperado: "Este projeto também tem sido uma mais-valia para mim. Vou treinando e pensando em inglês. Eles vão começar a falar português e eu vou ser uma profissional no inglês..."
Em parceria com uma associação sem fins lucrativos sediada em Oeiras, a escola desenvolve oficinas de desenvolvimento pessoal destinadas a crianças mais vulneráveis. O foco está nas competências metacognitivas – capacidade de monitorar, planear e avaliar a própria aprendizagem – e nas competências socioemocionais, como autorregulação, autoconhecimento, trabalho em equipa, cooperação e empatia.
A Unidade de Ensino Estruturado desenvolve projetos magníficos, incluindo terapia assistida por animais com a cadela Nala e sessões na sala Snoezelen (sala multissensorial) em parceria com o Centro Nuno Belmar da Costa. Como referiu Pita, assistente operacional: "Trabalhar na unidade é uma aprendizagem diária mútua que exige muita paciência, empatia e sobretudo trabalhar com amor todos os dias."
Todos os alunos da unidade estão incluídos em turmas regulares e frequentam diariamente as suas salas de aula, com os colegas também visitando regularmente a unidade.
Mónica, assistente técnica, trouxe uma perspetiva essencial: "Para nós, os alunos não são só processos nem o número de aluno que está em frente ao computador." Os serviços administrativos acompanham os alunos através da ação social escolar, garantindo acesso a material escolar, manuais e alimentação. "Ir ao refeitório à hora do almoço para mim é maravilhoso porque consigo criar uma ligação com os alunos", partilhou.
A Feira de Ciências conta com a participação ativa de pais, como Maria Nunes, mãe de um aluno. "A ciência é tudo o que nos rodeia. Ensina-nos a fazer perguntas e a procurar respostas. As respostas não nos chegam por magia, descobrimos através de tentativa e erro", afirmou, destacando a importância de estimular o pensamento crítico desde pequenos.
Com mais de 100 inscritos e aberto todos os dias, o Clube de Ciência Viva é o ponto âncora de toda a ciência do agrupamento. Trabalha em várias áreas temáticas:
Smart City: criação de maquetes de cidades inteligentes
Produtos Ecológicos: fabricação de produtos de higiene sem tóxicos nem plásticos
Os Inventores: programação, robótica e educação tecnológica
O clube organiza oficinas, participação em congressos e feiras, saídas de campo e visitas de estudo, estabelecendo parcerias com o ITQB, Instituto Superior Técnico, Inventors e Núcleo.
Ana Silva, do ITQB, expressou o orgulho do instituto na colaboração desde a génese do clube. Destacou a "diversidade de projetos" e a "capacidade do clube de abranger todo o agrupamento desde o pré-escolar", considerando-o "único, desafiante e inovador". O clube está aberto a todo o município através do Portal Oeiras Educa e até escolas privadas são convidadas a visitar.
O evento revelou ainda outros projetos que enriquecem o quotidiano escolar:
Semana do Mel: aprendizagem sobre abelhas, comunicação, trabalho em equipa, ciência e ambiente
Ler Fora da Escola: promover a leitura em qualquer lugar
Jogo do 24: desenvolver matemática, lógica e calma sob pressão
Contos ao Luar: criatividade, expressão e gosto pela leitura sob as estrelas
Laboratório: experimentação científica onde "quando erramos, voltamos a tentar"
"Esta escola não é perfeita, mas é viva, cheia de projetos e feita para aprender de muitas maneiras diferentes", resumiram os alunos numa das apresentações teatrais. O evento foi pontuado por momentos artísticos memoráveis, incluindo o coro do primeiro ciclo, que abriu a sessão com canções tradicionais portuguesas, e apresentações musicais ao longo de todo o programa.
O Agrupamento de Escolas Conde de Oeiras demonstrou que o sucesso educativo não é um destino, mas uma receita que se cozinha lentamente, com ingredientes de qualidade, múltiplos cozinheiros dedicados e, acima de tudo, com amor pelo que se faz. Como afirmou a direção: "Sozinhos não fazemos nada." É a colaboração entre todos – alunos, professores, assistentes operacionais, famílias, parceiros e comunidade – que faz desta escola um lugar verdadeiramente especial.
Quando a escola se transforma numa celebração de pessoas e projetos, cada aluno, professor, assistente e parceiro torna-se autor de uma história coletiva onde aprender é sinónimo de colaborar, incluir e transformar.
Os alunos abordaram a função central da educação no mundo contemporâneo, dominado pela abundância de dados. Argumentaram que a informação é apenas o "material bruto", facilmente acessível através da tecnologia, mas que o conhecimento resulta de um processo ativo de transformação, contextualização e aplicação dessa informação. A missão da escola é, portanto, ensinar os alunos a pensar criticamente e a passar pelas etapas de compreensão, integração, aplicação e reflexão, em vez de simplesmente fornecer respostas prontas. Este processo é crucial porque o conhecimento torna os indivíduos livres e capazes de discernir o relevante do irrelevante numa era de rápidas mudanças.
Podcast gravado por três alunas, na aula de português, do 8.ºC: Maria, Cecília e Victória. 1.º Semestre (dezembro) do ano 2025/26